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sábado, 20 de julho, 2024
Por Vonúvio Praxedes
sábado; 20 julho - 2024

Aos 30 anos Plano Real é aprovado pelos brasileiros, mas a inflação continua preocupando

Realizada entre os dias 3 e 9 de dezembro de 2023, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do País, a pesquisa aborda a perspectiva dos brasileiros sobre os 30 anos do Plano Real e a inflação

Passados quase 30 anos do lançamento do Plano Real, os brasileiros mantêm o apoio ao programa de estabilização de preços, de 1994, consideram que ele foi um sucesso, mas admitem que a inflação ainda é uma preocupação permanente da sociedade. A maioria da população (66%) acredita que os brasileiros “continuam muito preocupados” com a inflação e 79% opinam que a inflação “deve ser uma preocupação permanente da sociedade e do governo”. É o que revela a 15ª edição da pesquisa Observatório Febraban feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) para a Febraban.
 

Além disso, 71% dos brasileiros opinam que ele “continua importante, pois lançou as bases para uma economia mais sólida e estável”. Aqueles que avaliam que “com a economia brasileira estável a inflação deixou de ser uma preocupação prioritária” somam apenas 15%.
 

Realizada entre os dias 3 e 9 de dezembro de 2023, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do País, a pesquisa aborda a perspectiva dos brasileiros sobre os 30 anos do Plano Real e a inflação. O levantamento inédito procura investigar o que pensam os brasileiros a respeito do Plano e o que a geração que nasceu nos anos seguintes, e não viveu o Brasil da hiperinflação, sabe do Plano Real. A pesquisa também apura as opiniões específicas em cada uma das cinco regiões brasileiras.
 

Em uma sociedade que conviveu com níveis altíssimos de inflação – que fechou 1993 em 2.477% –, a escalada de preços ainda está na memória: 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já viveu, mas não vive mais, essa realidade.
 

A memória da hiperinflação, contudo, mostra-se difusa mesmo nas gerações contemporâneas ao Plano Real. Entre os que ouviram falar, 37% lembram o que é hiperinflação e 33% não lembram. Essa lembrança e o conhecimento sobre hiperinflação (“já ouviu falar e lembra o que é”) são maiores nas faixas a partir de 45 anos (45 a 59 anos: 45%; 60 anos ou mais: 46%), e menores entre os mais jovens (18 a 24 anos: 26%; 25 a 44 anos: 33%).
 

O levantamento mostra que, mesmo com a economia estabilizada, quase metade dos brasileiros (47%) avalia que o Brasil vive atualmente uma inflação alta ou muito alta. Perguntados sobre qual a taxa acumulada da inflação em 2023, um terço dos entrevistados (34%) acham que é maior do que efetivamente é. Um quarto (26%) indica um número entre “3% e 5%”, próximo à projeção do último Boletim Focus para o IPCA (4,51%), divulgada pelo Banco Central.
 

“A Inflação é um imposto perverso, atinge as famílias, dificulta o cálculo empresarial, eleva o risco da economia, tira a previsibilidade do investimento de longo prazo, reduz o consumo de bens e serviços e, particularmente, penaliza as camadas mais baixas da população. A notícia boa desse levantamento é que, felizmente, o brasileiro compreendeu a importância de combater a inflação e manter os preços estáveis”, diz Isaac Sidney, presidente da Febraban, que alerta: “Mas a inflação é um gato de sete vidas: ela precisa ser controlada, pois volta quando baixamos a guarda.”
 

“O Plano Real e o Bolsa Família são vistos como as duas principais marcas da economia brasileira na Nova República. O que significa que a estabilidade da moeda juntamente com as políticas sociais são ambas valorizadas como as mais relevantes alavancas do nosso desenvolvimento”, avalia o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.

 

A íntegra do 15º levantamento Observatório Febraban, pesquisa Febraban-IPESPE, pode ser acessada neste link.

Abaixo, seguem outros resultados do levantamento:

 

CONHECIMENTO E OPINIÃO SOBRE O PLANO REAL
 

Bolsa Família e Plano Real disputam o primeiro lugar como programas mais importantes para a economia brasileira nas últimas décadas, em uma lista de doze programas ou ações reconhecidas por especialistas como relevantes para o desenvolvimento econômico e social do país:

26% – Bolsa Família

23% – Plano Real

15% – Abertura da economia para o comércio internacional

9% – Auxílio Emergencial

5% – Entrada do Brasil no BRICS

3% – Lei de Responsabilidade Fiscal

3% – Descoberta do Pré-Sal

2% – Reforma Trabalhista

2% – Reforma da Previdência

2% – Reforma Tributária

2% – Programa de Aceleração do Crescimento, PAC

1% – Programa de privatização das telecomunicações, energia e siderurgia

1% – Nenhum

6% – NS/NR

 

CRUZEIRO X REAL
 

Enquanto o Cruzeiro é a moeda mais lembrada em associação aos períodos de maiores taxas inflacionárias no país, o Real aparece consolidado no imaginário da população como a moeda que marcou a estabilidade da economia.

Pouco mais de um terço (35%) citam acertadamente, em pergunta estimulada, o Cruzeiro como a moeda em vigor quando o país enfrentou as taxas mais altas de inflação. E 48% mencionam outras moedas, incluindo o próprio Real (19%), o Cruzado e o Cruzado novo (ambos com 14%).

Em outra questão estimulada, sobre qual moeda está associada a menores taxas de inflação e à estabilidade da economia, 70% dos respondentes citam o Real. Os demais 30% se distribuem em menções, com menos de dois dígitos, a outras moedas.

 

CONHECIMENTO DO PLANO REAL
 

Sob estímulo, o conhecimento do Plano Real (“já tinham ouvido falar”) é de 80%, enquanto 15% dos brasileiros nunca ouviram falar do Plano Real ou não souberam responder (5%).

A avaliação retrospectiva e atual do Plano Real é majoritariamente positiva. Cerca de oito em cada dez entrevistados (77%) avaliam o Real como ótimo ou bom, após quase 30 anos de implementação. Outros 18% o consideram regular e apenas 2% expressam uma opinião negativa.

 

IMPORTÂNCIA DO PLANO REAL
 

Numa lista de oito aspectos, pelo menos 70% dos brasileiros avaliam o Plano Real como muito importante ou importante:

  • Estabilização da moeda e da economia (89%)
  • Crescimento do país (88%)
  • Melhora do poder de compra (85%)
  • Vida pessoal e de sua família (83%)
  • Geração de emprego e renda (81%)
  • Confiança do país no Exterior (80%)
  • Atração de investimentos (80%)
  • Diminuição das desigualdades sociais (70%)

PERCEPÇÃO SOBRE A INFLAÇÃO NO BRASIL
 

66% dos entrevistados acreditam que os brasileiros “continuam muito preocupados” com a inflação e 79% opinam que a inflação “deve ser uma preocupação permanente da sociedade e do governo”. Um quinto dos respondentes (21%) acredita que atualmente a população está menos preocupada com a inflação e para somente 10% a inflação não é uma preocupação atual. Já aqueles que avaliam que “com a economia brasileira estável a inflação deixou de ser uma preocupação prioritária” somam 15%.
 

Quase metade dos brasileiros (47%) avalia que o Brasil vive atualmente uma inflação alta ou muito alta. Quase quatro em cada dez entrevistados (38%) classificam como moderada a atual taxa de inflação, enquanto 13% a consideram baixa ou muito baixa. Para esse agregado de 51%, portanto, o país tem a inflação em níveis aceitáveis, dentro do teto estabelecido pela autoridade monetária.
 

Perguntados sobre qual a taxa acumulada da inflação em 2023, um terço dos entrevistados (34%) acha que é maior do que efetivamente é. Um quarto (26%) indica corretamente um número entre “3% e 5%”, próximo à projeção do último Boletim Focus para o IPCA (4,51%), divulgada pelo Banco Central. Outra parcela de quase um quarto (23%) não tem ideia; e pouco menos de um quinto (17%) responde um percentual menor do que é a inflação de fato.
 

A MEMÓRIA DA HIPERINFLAÇÃO
 

Entre os entrevistados 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já viveu, mas não vive mais, essa realidade. A memória da hiperinflação, contudo, é difusa mesmo nas gerações contemporâneas ao Plano Real. Entre os que ouviram falar, 37% lembram o que é hiperinflação e 33% não lembram. Pouco mais de um quarto dos brasileiros (27%) nunca ouviu falar no termo.
 

A despeito da ampla associação entre a moeda brasileira atual e a conquista da estabilidade econômica, mais da metade da população (57%) não sabe precisar, de forma espontânea, qual o programa econômico que recuperou o controle dos preços e pôs fim à hiperinflação no Brasil. Apenas 38% cita espontaneamente o Plano Real.

O REAL HOJE
 

71% dos brasileiros opinam que ele “continua importante, pois lançou as bases para uma economia mais sólida e estável”. Parcela próxima a um quarto (23%), porém, considera que o Plano Real “perdeu importância, pois o Brasil mudou muito desde então e os desafios de hoje são outros”.
 

Atualmente, a confiança no Real é considerada maior no próprio país do que fora dele, junto a outros países e investidores estrangeiros. O sentimento de confiança na moeda brasileira apresenta os seguintes números:

  • 63% dos respondentes acreditam que os brasileiros confiam muito ou confiam no Real.
  • 60% creem que as instituições do setor econômico confiam muito ou confiam na moeda brasileira.
  • 48% creditam confiança ao Real por parte dos outros países e investidores estrangeiros.

A despeito da confiança dos brasileiros na moeda nacional, mais da metade dos deles (55%) avaliam que o Real está muito desvalorizado ou desvalorizado em relação ao Euro e ao Dólar.
 

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