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Por Vonúvio Praxedes
segunda-feira; 15 abril - 2024

Dilemas: Ciclos

A falta da minha iniciativa fez o ciclo acabar e eu nem tenho ideia se posso consertar isso

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Por Alexandre Fonseca

Vinha protelando a escrita deste texto, por não saber bem o que colocaria nos parágrafos e por compreender que o tema “ciclos”, envolve muita coisa na minha vida. Iniciei a escrita quando tinha acabado de ler umas mensagens do passado e sentir que estava pronto para descrever meus sentimentos sobre finalização de etapas com pessoas e situações diversas. Fiquei um pouco irritado, pois, o computador se desligou e eu perdi absolutamente tudo que havia começado a digitar. Mesmo assim, tentei retomar, não tinha mais tempo para protelações. Me acomodei na rede, com um grande risco do cabo do carregador soltar mais uma vez e eu perder tudo de novo, mas, vamos à persistência.

Andei percebendo o quanto tem sido comum renovar, iniciar e encerrar ciclos, seja pela falta de convivência, intimidade excessiva ou talvez, pela minha personalidade volátil que valoriza coisas simples e repudia outras banais. Desde a infância, lido com a partida de familiares e amigos, que tiveram suas jornadas na terra, concluídas. Naturalmente, jamais iria associar o luto como a conclusão de um ciclo, logo ali, nos primeiros anos de aprendizado sobre o mundo. O que não imaginava, é que com o tempo, a maturidade me colocaria numa posição de refletir constantemente acerca das fases e das vivências. E tenho feito importantes reflexões, a respeito de tudo aquilo que tenho experienciado.

Saindo da esfera do plano espiritual, quero apontar as recordações que tenho de amizades incríveis quando mais novo. Era tão ingênuo… Acreditava que iriam durar para sempre. No entanto, para sempre é muito distante e diferente do futuro projetado. Tanta coisa acontece e você começa a entender melhor as relações, quem te rodeia e quais as intenções por trás das palavras e atitudes de cada um. Nesse entendimento que foi gerado ao passar dos anos, fui pontuando o término das fases comigo mesmo e com os outros. Precisei encerrar ciclos com pessoas que tinha grande apreço, porque me fizeram ter arrependimentos por defendê-las, por amá-las, por cuidá-las, doar o meu tempo… Interrompi ciclos com quem só me tinha na visão para favores, como o apoio na resolução de problemas e algumas outras circunstâncias que não cabe mencionar. Dei um basta nos ciclos que consumiam a minha energia, que não me priorizavam, que estavam ali com um certo interesse. E infelizmente, são dores, enraizadas como caule firme na terra, difíceis de cortar. Pode parecer egoísmo quando cito a palavra “priorizavam”, mas, não posso permitir que me tenham como fonte sanadora de adversidades e fora das composições de memórias afetivas.

Já alguns outros ciclos, foram encerrados pelo simples fato de cada um seguir o seu caminho. Estava fora do nosso controle. É o destino como geralmente descrevem. A verdade é que as pessoas possuem um único papel na vida dos demais, de deixar algo, seja bom ou ruim, saudade ou desprezo, não importa. Algo, com certeza deixa. E muita gente deixou, inclusive, intervalos de tempos longos, que perduram nas minhas lembranças. Eu vivi uma fase incrível, com possibilidade de um relacionamento pro resto da vida (olha a minha ingenuidade outra vez e logo como um adulto). Não durou! A falta da minha iniciativa fez o ciclo acabar e eu nem tenho ideia se posso consertar isso. Só afirmo mesmo, as minhas lamentações. Tive fases modificadas, pois, quem tava perto de mim, queria desbravar o mundo, sentir novos horizontes e decidiu partir para o sul do país, ou mais longe ainda, para outro país.

E eu percebi também que a convivência comigo, gera muito caos. Sou extremamente complicado e a complicação não compreendida pelo próximo, desenvolve uma série de ciclos finalizados, que não tenho como administrar. Disponho de uma lista de cem páginas (exagero aqui), com os seres humanos que me afastei e que com o tempo, me reaproximei, embora, sem a intensidade do vínculo anterior. São muitas etapas, muitas fases, né?! Hoje você se qualifica, se denomina, se intitula alguém, amanhã, tudo está diferente. Fica mais claro ainda essa coisa louca da existência passar por tantas transformações de realidades, brincando com as nossas imperfeições e criando dilemas internos tão impertinentes, quando análises do passado, do presente e do futuro, são colocadas diante dos nossos olhos.

Dias atrás, enfrentei um grande dilema interno, sobre o que estava porvir. Precisava tomar uma decisão importante e encerrar um estágio desesperador, que afetava meus dias, minha entrega, meu sono, minha rotina. Depois de muito pensar, tomei a decisão! Foi simplesmente um dos ciclos mais cruciais que tive a obrigatoriedade de concluir. Automaticamente, concebeu um novo que vai durar muito tempo e me deixou bem feliz. Outro ciclo difícil, que veio me consumindo por dentro, atrofiando minha alma durante várias semanas, consegui resolver de forma bem natural, com a proeza da circunstância que parece ser elaborada para te pregar uma peça. Te fazer de palhaço mesmo. Você chega a pensar que é o fim do mundo, quando menos espera, está tudo na paz.

Este texto protelado, foi escrito em vários dias. Tenho o costume de escrever tudo de uma vez. Na minha concepção, isso aconteceu pelo seguinte motivo: Deus me quis vivendo uma série de situações e foi ensinando a ter uma visão reluzente do que significam os meus estágios de experiências no decorrer da jornada. Vou ter muitos outros ciclos, de diversos tipos, do ontem, do agora e do amanhã. No entanto, possuirei um pouco mais de sabedoria e discernimento. Acredito que vou compreender o que será exigido de mim. Ou nem tanto. Sou cheio de falhas! Entendo a razão do computador ter desligado, da demora em tomar decisões importantes, do pensar demais, do insistir em pessoas que são ruins comigo, das novas chances, das minhas tribulações, da falta de atitude em alguns casos ou do me priorizar. E quero garantir que você que leu até o final, absorva algo também a respeito dos seus ciclos. Pare um pouco e analise o que necessita ser continuado e qual ciclo te faz mal, que deve ser encerrado imediatamente. Ah, lembrando, jamais tenha como referência o outro. A resposta de renovação, iniciação e finalização de etapas, está apenas em você. A resolutividade é individual. É só constatar! O segredo é pegar tudo que aprendeu com as escolhas feitas e se perguntar: qual o próximo ciclo? Viva!

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