As movimentações no primeiro escalão da Prefeitura de Mossoró nesta primeira semana do ano de 2026 não podem ser lidas apenas como ajustes administrativos. Elas dialogam, de forma clara, com o calendário político e com a realidade de que o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) deverá deixar o cargo para disputar o Governo do Rio Grande do Norte. E quando o chefe do Executivo passa a mirar outro palanque, a engrenagem interna da gestão precisa ser reorganizada.
Há, nesse redesenho, dois movimentos simultâneos. O primeiro é a blindagem da administração. Ao priorizar quadros técnicos e gente já testada dentro da própria máquina, a gestão tenta reduzir riscos, evitar rupturas e garantir previsibilidade em áreas sensíveis. Trata-se de assegurar que a Prefeitura funcione sem surpresas no período de transição que se aproxima.
PERFIL: Marcos Medeiros é servidor público da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa). É formado em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Na gestão do prefeito Allyson Bezerra, Marcos atuou na Diretoria Executiva da Secretaria Municipal de Saúde e também como Secretário Municipal de Governo.
O segundo movimento é eminentemente político. A reorganização cria espaço para que o vice-prefeito Marcos Medeiros comece, ainda que de forma silenciosa, a construir autonomia administrativa e política. Não se governa por herança; governa-se com comando. E, nesse contexto, o vice precisa deixar de ser apenas coadjuvante institucional para assumir protagonismo real, com capacidade de decisão e controle sobre áreas estratégicas.
Esse processo é comum em ciclos pré-eleitorais, mas nem sempre bem executado. Quando feito de forma tardia, gera instabilidade. Quando antecipado, como agora, sinaliza cálculo político. Allyson prepara o terreno para fora do Palácio da Resistência; Marcos Medeiros, por sua vez, começa a ocupar o espaço que será dele por direito constitucional.
O detalhe é que essa transição não acontece em silêncio. Cada ajuste interno, cada reposicionamento, conversa com o xadrez de 2026. Mossoró deixa de ser apenas vitrine administrativa e passa a ser base eleitoral. E o que está em jogo não é só a continuidade de uma gestão, mas a consolidação de um projeto político que tenta sobreviver sem o seu principal nome no comando direto.
No fundo, a pergunta que começa a ganhar corpo é simples: quando Allyson sair, Marcos terá apenas o cargo, ou também o poder? A resposta começa a ser desenhada agora.





