Não lembro bem a minha idade, mas sei que era ano de uma campanha para prefeito em Caraúbas. Estávamos sentados na calçada de casa com minha avó pastorando a gente. Era como se vovó ficasse ali no controle e ninguém poderia descer o batente porque eram muito trânsito. Muito perigoso. O movimento era grande com carro de som e motos.
Depois que passou o povo todo, a charanga e a carreata, a rua meio que ficou sem graça. Sentamos no chão tristes enquanto ficavam distantes as músicas de campanha sendo acompanhadas pelas batidas do tarol e bumbo.
Neste momento, de longe eu vi um Del Rey vindo do sentido Mercado, meio com dificuldade para subir o alto da Estação. Bem na hora que passava na frente lá de casa, a marcha travou e emperrou. O motorista ligou rápido, deu partida de primeira e com uma acelerada brusca o porta-malas abriu. Naquele momento caiu exatamente três bandeiras verdes no chão.
Assim que escutamos o barulho dos cabos de madeira batendo no calçamento, neste mesmo segundo a luz do poste apagou. Olhei para meus irmãos e sem ninguém dizer nada nos entendemos no olhar. Corremos aos pulos e, sem briga, cada um pegou uma bandeira. O carro foi embora e o grito de felicidade foi alto!
Foi emocionante poder brincar com as bandeiras naquele tempinho na rua. Vovó ficou sem entender de onde vieram as bandeirolas, mas não tinha mais o que fazer: já estávamos pulando de um lado para o outro, cantando o jingle da campanha. Naquela noite viramos eleitores.
Não sei se isso foi o que deu o start para que até hoje eu goste tanto de política, mas eu tenho certeza que desde que me entendo por gente, sei que toda criança quer torcer para algum político segurando uma bandeira na mão.
Anotado da memória de Vonúvio Praxedes.