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Campanha eleitoral não é mais sobre convencer, é sobre mobilizar

"Tudo isso, claro, construído com uma comunicação eficaz, inteligente e pautada em dados e informações relevantes"

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Bruno Oliveira - foto: redes sociais

Por Bruno Oliveira

Nos últimos anos, o jogo eleitoral mudou de forma radical. Se antes o grande desafio era convencer o eleitor, hoje, a disputa mais estratégica é fazer com que ele saia de casa e vote. Parece simples, mas mobilizar é muito mais complexo do que persuadir, e é aqui que as campanhas vencedoras se diferenciam.

Em várias cidades do Nordeste, a abstenção ultrapassa a casa dos 20%, e, quando somamos votos brancos e nulos, percebemos que uma fatia considerável da população simplesmente não tem o menor interesse em participar do processo. Em outras palavras: com exceção dos polos políticos que são mais calcificados na opinião e que simpatizam com determinadas candidaturas a partir da ideologia, uma parte cada vez mais significativa do eleitorado se sente pouco motivada a transformar seus anseios em voto.

Durante o último ciclo eleitoral, participei de campanhas em diferentes contextos políticos que, de alguma maneira, confirmaram essa tendência. Em algumas, o desafio não era conquistar corações e mentes, mas criar um senso de urgência e pertencimento capaz de levar o eleitor até a urna. Isso exige mais do que slogans ou jingles pegajosos: demanda estratégia, dados e conexão emocional. Mobilizar significa entender o que move (ou paralisa) um determinado grupo. Em áreas urbanas, isso pode estar ligado a temas como transporte, emprego e segurança. Em regiões rurais, questões de acesso a serviços básicos ou valorização da cultura local podem ter mais força. O ponto é que a mensagem precisa ser customizada para cada segmento e entregue no canal certo, na hora certa.

Um erro comum é tratar a mobilização apenas como um esforço da reta final, aquele famoso “corpo a corpo” nos últimos dias. Na prática, ela precisa estar no DNA da campanha do primeiro planejamento até a última caminhada de rua. Isso inclui mapear zonas eleitorais com menor comparecimento histórico, treinar multiplicadores de mensagem e criar conteúdos digitais que reforcem a importância do voto de forma inspiradora. Tudo isso, claro, construído com uma comunicação eficaz, inteligente e pautada em dados e informações relevantes.

Já vi campanhas tecnicamente bem estruturadas perderem eleições porque não conseguiram ativar o eleitor indeciso que até simpatizava, mas não estava disposto a sair de casa. Por outro lado, testemunhei viradas impressionantes quando o foco foi colocado na mobilização desde o início.

No fim, a lição é clara: o voto que decide uma eleição muitas vezes pode até já estar conquistado na mente do eleitor. O desafio é transformá-lo em ação no dia certo. Campanhas que entendem isso não apenas saem na frente, elas chegam primeiro na linha de chegada.

Bruno Oliveira é Consultor de Marketing e Cientista Político.

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