Os novos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo IBGE, mostram que o Rio Grande do Norte alcançou um marco importante ao se tornar o estado nordestino com a maior proporção de domicílios com acesso à internet: 94,4%. Esse número ajuda a explicar uma transformação profunda no ambiente político em que vivemos. Com nove em cada dez lares conectados, a disputa eleitoral passa a ser travada, cada vez mais, nas telas dos celulares, onde candidatos disputam atenção da audiência, construindo narrativas e tentando influenciar a opinião pública em tempo real.
Ainda muito relevante, mas a comunicação deixou de depender exclusivamente do horário eleitoral, das emissoras de rádio e televisão ou da cobertura tradicional dos jornais. As redes sociais permitem que candidatos falem diretamente com o eleitor, segmentem mensagens para públicos específicos e mobilizem apoiadores de forma instantânea. Ao mesmo tempo, o elevado índice de acesso à internet amplia a circulação de conteúdos produzidos por influenciadores, páginas políticas e veículos digitais, tornando o ambiente eleitoral mais dinâmico, mas também mais suscetível à desinformação e à polarização.
Para os veículos de comunicação, os dados do IBGE também indicam uma mudança interessante do ponto de vista do conteúdo. Se a população potiguar está conectada diariamente (97,3% dos usuários acessam a internet todos os dias), cresce a necessidade de uma cobertura eleitoral pensada prioritariamente para o ambiente digital. Reportagens multimídia, transmissões ao vivo, vídeos curtos, newsletters e atualizações em tempo real passam a disputar espaço com os conteúdos publicados nas redes dos próprios candidatos. Nesse contexto, a credibilidade jornalística torna-se um diferencial para enfrentar a velocidade da informação e a proliferação de conteúdo sem verificação.
Embora a conectividade tenha avançado de forma expressiva, o levantamento também revela desigualdades que permanecem relevantes para a política. O uso da internet é menor entre pessoas com baixa escolaridade e uma parcela da população ainda não consegue acessar plenamente os serviços digitais por falta de conhecimento ou necessidade percebida. Isso significa que campanhas e veículos precisam combinar estratégias digitais com presença territorial, rádio, televisão e ações presenciais para alcançar todo o eleitorado.
Em um estado onde a internet já faz parte da rotina da grande maioria dos cidadãos, a capacidade de ocupar o espaço digital com informação de qualidade e posicionamentos claros tende a ser um dos fatores decisivos na formação da opinião pública durante o processo eleitoral.



