02 nov 2021

Musk diz que venderia ações da Tesla para acabar com a fome no mundo e ação dispara

Via InfoMoney/ Mariana Amaro

SÃO PAULO – A valorização das ações da fabricante de automóveis Tesla fez com seu fundador, sul-africano Elon Musk, se tornasse o homem mais rico do mundo – e entrasse em (mais) uma polêmica.

Ainda na semana passada, o diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, David Beasley, afirmou que uma “pequena” ajuda de alguns dos “ultra-ricos” poderia resolver a fome no mundo. Em entrevista, Beasley informou que a junção das crises da Covid-19, eventos climáticos extremos, causados pela mudança climática e questões políticas e locais fez com que milhões de pessoas estejam vivendo entre a insegurança alimentar e a fome e pediu união às pessoas mais ricas do mundo para ajudar a resolver o problema.

De acordo com o diretor, US$ 6 bilhões o equivalente a 2% da fortuna de Musk, já permitiriam a 42 milhões de pessoas terem o que comer.

Musk respondeu via Twitter, dizendo que venderia algumas de suas ações da Tesla agora mesmo se o Programa Mundial de Alimentos da ONU mostrar como conseguiria acabar com a fome no mundo com US$ 6 bilhões, com a condição de estar com código aberto, para que o público veja exatamente como o dinheiro é gasto. Pelo próprio Twitter, Beasley respondeu que o órgão possui sistemas de transparência e contabilidade com código aberto, e informou que o time de Musk poderia avaliar e trabalhar em conjunto com o PMA para que tenha total confiança nos dados.

Como resultado da polêmica, as ações da Tesla se valorizaram ainda mais. O papel teve uma valorização de 8,48% esta segunda-feira (1).

As ações da companhia já se valorizaram mais de 59% desde o começo do mês passado e cerca de 130% nos últimos 12 meses. De janeiro de 2017 até agora foi uma valorização de 748%.

Homem de 1 trilhão de dólares
Na semana passada, a gigante de veículos elétricos Tesla atingiu a marca histórica de US$ 1 trilhão de dólares em valor de mercado. A escalada aconteceu depois que a locadora de veículos Hertz anunciou uma ordem de compra de 100 mil carros Tesla até o final de 2022, na segunda-feira (25).

Com a valorização, a Tesla entrou para um seleto grupo de empresas cujo valor de mercado é de pelo menos um número acompanhado de 12 zeros à direita. Quem também faz parte do clube é a Alphabet (holding do Google), a Apple, a Amazon, a Microsoft e o Facebook, agora chamado de Meta.

Não por acaso, todas essas empresas também possuem fundadores muito famosos e, em alguns casos, polêmicos. Com Elon Musk, fundador e CEO da Tesla, não é diferente. O empresário sul-africano que viu seu patrimônio líquido subir US$ 36 bilhões na segunda-feira e o colocou na posição de pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 289 bilhões (ou R$ 1,6 bilhões no câmbio de hoje) costuma brindar seus mais de 61 milhões de seguidores no Twitter com mensagens enigmáticas, informações e até dicas de investimento.

Outras polêmicas de Musk
Em 30 de setembro, usuários descobriram que alguém havia comprado 6 trilhões de unidades da criptomoeda Dogecoin, avaliadas em US$ 43,8 milhões. Pouco depois, o CEO da Tesla (TSLA34), Elon Musk, publicou no Twitter a foto de um cachorro da raça Shiba Inu, símbolo da criptomoeda. O tuíte foi interpretado como um “sinal de compra”, acompanhado pela comunidade e servido de catalisador para um movimento de alta que transformou aqueles 6 trilhões de unidades em um lucro de mais de US$ 150 milhões.

Em setembro de 2018, Musk, também pelo Twitter, escreveu que tinha recursos assegurados para fechar o capital da empresa. Como a informação movimentou o mercado, Musk foi investigado pela SEC, o regulador do mercado de capitais americano e correu o risco de ser removido do cargo de CEO. Pouco depois de fechar um acordo para o pagamento de uma multa milionária, Musk afirmou que não estava arrependido e que não tinha respeito nenhum pela SEC. Conheça mais da vida do bilionário Elon Musk em seu perfil.

A declaração de Elon Musk foi uma resposta ao diretor de programa da ONU que combate a fome – foto: Bloomberg

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