07 ago 2019

Maitê Ferreira será a primeira Advogada Trans de Mossoró e do RN

A solenidade de entrega de carteiras, ato este que ocorre sempre para marcar o reconhecimento dos bacharéis que passam pelo Exame da Ordem, estará muito mais representativo a partir desta quinta-feira 08 de agosto. Maitê Ferreira, 24 anos, bacharel em Direito, especialista em Direito Constitucional e mestranda em Direito pela UFERSA, será a primeira mulher trans a receber a carteira da OAB na cidade de Mossoró e no Rio Grande do Norte. A solenidade será às 17h, na sede da OAB Mossoró.

Advogada Maitê Ferreira – Foto: cedida OAB Mossoró

Maitê conta que Direito não foi uma escolha fácil já que sempre atuou junto aos movimentos sociais e tinha em mente cursar Ciências Sociais, mas logo foi se encontrando no Direito, até vencer o estigma e as dúvidas de como sendo uma advogada trans, como seria a sua vida. Depois de refletir, Maitê que obteve a aprovação no Exame de Ordem ainda no passado, decidiu enfrentar e inverter a pergunta: ‘como poderia abrir mão de atuar e ser exemplo pra outras mulheres trans que virão depois?’

Depois de dar entrada na solicitação da carteira de advogada para o recebimento da sua carteira com o nome social a que tem direito, Maitê relatou:

“Somente após ser reconhecida com meu nome, sendo como eu sou, que pude sentir confiança de juntar toda a papelada, pagar a taxa, comprar a briga. Pude começar a imaginar um futuro para mim enquanto advogada. Agradeço à OAB Mossoró e OAB RN por terem garantido compreensão e aceitação no meu processo de inscrição, que foi pioneiro na cidade de Mossoró/RN – cidade que tanto estimo e que resido há quase 9 (nove) anos. Vamos fazer desta solenidade um marco da resistência da democracia. Convido, de coração, a todas as pessoas que possam comparecer”, ressalta Maitê.

Daqui para frente, Maitê Ferreira sinaliza o que se pode esperar desta nova advogada:

“Esta OAB não vai ser só minha. Firmo o compromisso de que esta carteirinha vai se voltar pra quem mais precisa: as mulheres vítimas de violência doméstica e de assédio sexual, bem como das pessoas LGBT que sofrem preconceito e discriminação dentro de casa, na rua e nos locais de trabalho”, afirma ela.

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