08 jan 2020

Família venezuelana pede ajuda a sociedade mossoroense para viajar ao Rio Grande do Sul

Reportagem: Jocifran Moura

Foto: Ramon Nobre

O sonho de uma nova vida fez com que a venezuelana Erika Salen Farjado, de 34 anos, da capital Caracas, viesse ao maior país da América do Sul tentar recomeçar sua vida de forma mais digna com sua família. A decisão de sair da Venezuela com sua mãe, seus irmãos e filhos ocorreu pela crise que vem acontecendo em seu país. A família venezuelana chegou no Brasil no dia 16 de maio de 2015, na cidade de Boa Vista (RR), com a ajuda da Organização das Nações Unidades (ONU).

Família venezuelana precisa de ajudar para sair de Mossoró

Passaram alguns anos no estado de Roraima e a família foi dividia e enviada para locais diferentes do Brasil. Erika Farjado e seus cinco filhos foram escolhidos para vir ao Rio Grande do Norte, um casal de irmãos ficaram em Boa Vista e mais outro casal de irmãos com sua mãe para Porto Alegre no Rio Grande do Sul. O sonho de recomeçar a vida, mais uma vez, chegou em Mossoró no dia 06 de agosto de 2019. Erika Farjado e seus cincos filhos vieram à cidade com a esperança de conseguir emprego para sobreviver e tentar mais dignidade no país que a acolheu tão bem.

“Eu saí da Venezuela fugindo de uma crise para meus filhos terem uma vida melhor, mas não está dando certo aqui em Mossoró. Não tem como conseguir emprego. Eu coloquei currículo em todos os lugares e não consegui emprego. Coloquei 50 ou mais currículos. Não tenho a quem mais pedir ajuda, só a você e as pessoas de Mossoró para me ajudarem a chegar ao Rio Grande do Sul”, afirma Erika que trabalhava de camareira em hotéis de Caracas e quer ajuda dos mossoroenses para ir ao Rio Grande do Sul ficar com sua família.

Como ajudar

Erica Farjado está pedindo a colaboração dos mossoroenses para conseguir carona ou passagens para o Rio Grande do Sul. A venezuelana também não tem malas, lençóis e cobertores de frio para dois filhos que são asmáticos. Quem puder ajudar pode ir diretamente na casa da venezuelana na Rua Professor Titã, nº 35, no bairro Abolição 2 (rua sem saída vizinho ao apartamento residencial Renata Matos) ou entrar em contato pelo whatsapp de Erika (84) 9624-8114.

“Várias vezes meus filhos foram dormir sem comer. Quero ir para minha mãe, lá está muito melhor. Se eu ficar sem comida, minha família vai me ajudar no Rio Grande do Sul. Eu não quero dinheiro, quero as passagens ou uma carona. A carona para mim é mais que tudo. Eu estou contando com o povo de Mossoró para me ajudar. Não tem como ficar mais aqui. Eu não tenho trabalho. Em Porto Alegre meus filhos vão ter estudos, eu vou estar perto da minha mãe e terei mais oportunidades de trabalho.”, desabafa e chora Erica, que não tem comida para os filhos e nem transporte para levá-los até a escola. As passagens para toda família ir ao Rio Grande do Sul custa cerca de 5 mil reais.

Promessas

Segundo Erica, sua mãe, Mercede Rios, de 70 anos, não vê a hora de poder rever a filha e os netos e juntos lutarem por mais condições dignas de vida. “Minha mãe me liga todos os dias e fica perguntando porque vim para cá. Ela chora muito. Eu digo a ela que a ONU não me disse que ia ser difícil conseguir emprego aqui. Não sabia que ia ficar tanto tempo sem trabalho aqui. Pensei que ia chegar e logo começar a trabalhar e arrumar as coisas para meus filhos. Outros venezuelanos tiverem sorte, mas para mim não está dando.”, explica.
O abrigo Lar da Criança Pobre, das irmãs Ellen e Cristina, acolheu cerca de 10 famílias venezuelanas dando moradia e alimentação de acordo com suas possibilidades. Erika é a responsável por uma dessas famílias e a falta de emprego desde que chegou na cidade está deixando desesperada.

“O Lar da Criança Pobre nos ajuda e ajudou muito. Eu sou muito grata a toda essa equipe, a Irmã Ellen, que fez muito por nós. Dou graças a Deus pela ajuda deles. Toda semana o LAR nos ajuda com arroz, macarrão e óleo e a quantidade depende das doações que eles recebem. Mas sem trabalho não consigo comprar a mistura para meus filhos. Não penso nem em mim, penso mais neles”.

Sem comida

Na tarde segunda-feira (06/12), durante a gravação desta reportagem, Erika e seus filhos ainda não tinham almoçado. Seu filho mais velho Cristian Fajardo, de 19 anos, conseguiu uns peixes e só depois das 15h que puderam fazer a primeira refeição do dia. “Meu filho conseguiu uns peixes e estamos indo almoçar mais de 3 horas da tarde. Tenho arroz, macarrão, tenho óleo, mas não tenho tempero, verdura, não tenho sabão para lavar roupa e estou com muita roupa suja. Quando estávamos em Boa Vista, no abrigo lá, meus filhos tinham três refeições por dia e agora estão sem comida. Quando não tenho nada para comer peço aos vizinhos para pelo menos meu filho mais novo, o Alfredo de 7 anos.”, contou.
Mesmo com todas as dificuldades, Erika disse que ama o Brasil, vai continuar morando no país e não pretende voltar para a Venezuela. “Minha situação está muito complicada. Quero que meus filhos estudem. Quero trabalhar e ajudar minha mãe e meus irmãos. Eu amo o Brasil e para a Venezuela eu não volto mais”.

Erika Salen Farjado veio para Mossoró com os filhos Alfredo Geremias Mieses Fajardo, 7 anos; Elen Mieses Fajardo, 12 anos; Yosnarvis Mieses Fajardo, 16 anos; Jhan Wilfran Rondon Fajardo, 18 anos e Cristian Jesus Rios Fajardo, 19 anos.

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