08 jul 2021

Dilemas: A ausência da honestidade momentânea: o quanto o ser humano é previsível

Por Alexandre Fonseca

Guardo algumas análises pessoais que agora precisam ser externadas. Tenho passado por repetidas situações excêntricas e acredito ligeiramente que você também já deva ter vivenciado algo semelhante ao que vou relatar. O traço observador da minha personalidade, não me deixa ficar quieto sobre a aptidão humana de praticar a desonestidade com os próprios sentimentos e da destreza em mentir ou se tornar evasivo(a), de um dia para o outro.

Tem consciência sobre o significado de honestidade momentânea? É simplesmente o ato de comunicar a sua real vontade perante qualquer contexto em que esteja inserido(a). Funciona da seguinte maneira: se existe ou não um desejo puro em desempenhar qualquer tipo de atividade, isso é dito, com todas as letras, doa a quem doer.

É muito comum precisarmos um dos outros para realizar favores. Certa vez, contatei duas pessoas para desenvolver projetos sociais de forma voluntária e de imediato, pareceram muito entusiasmadas. Até então, não existia o conhecimento de uma inimizade entre elas. No meio do percurso, uma começou a gerar desculpas atrás de desculpas e a outra deixou de responder às mensagens. A grande questão é a seguinte: com o caos já estabelecido, uma delas ainda ficou gerando expectativas, “vou ver o que posso fazer”, “tentarei apoiar”, quando já estava decidido o contrário.

Sabe aquele velho hábito de “prefiro inventar qualquer coisa, para não machucar”? Estava diante dele! Não seria realmente mais simples declinar do convite? Seja pela razão que fosse, dê a resposta negativa e fim de conversa. Não há obrigatoriedade alguma da sua parte em ser de acordo com todas as situações que lhes são apresentadas, entretanto, é no mínimo educado, respeitoso, usar da honestidade momentânea para entregar uma resposta direta, negativa ou positiva, quando necessário for. Esse é o caminho!

Eu mesmo, em ocasiões parecidas, optei pela ausência de justificativas como a solução mais viável para um problema. O pouco de pressão que nos expõem determinadas circunstâncias, pode e contribuiu para uma atitude equivocada. Mas, quando estive do outro lado da moeda, compreendi que tem alguém esperando por aquele diálogo objetivo e íntegro, de um simples fechamento. É também, um quadro evolutivo para a própria pessoa que recebeu o “não”, de ter maturidade suficiente para aceitar que nem todo mundo vai poder dedicar tempo para seus propósitos. A gente vai aprendendo!

Relevante ser acertado, que jamais fique alimentando tribulações. Não deixe subentendido o interesse em oferecer ajuda, se o único sentimento que carrega é justamente o oposto. Tenha o cuidado de não entrar em uma bola de neve, faz mal para todos os envolvidos. Ter responsabilidade com o emocional alheio é importante demais. E se chegou a dizer “sim” para algo e mudou de ideia, é um direito seu. Só não produza enredos mentirosos. Fica nítido, estampada no rosto a má disposição em desempenhar o que se propôs anteriormente. Mais feio ainda, não querer fazer e deixar o(a) colega sem explicações. É mais prático dizer o “não” e está tudo bem. Está tudo bem!

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